Yoga não é uma religião, é uma filosofia de vida.

 

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Yoga e Meditação, o maior investimento para a sua saúde.

 
Data:  06/01/2009


Teoria e Prática do Yoga

Yoga é uma antiga filosofia de vida que se originou na Índia há mais de 5000 anos. Não obstante, ele figura ainda hoje em todo o mundo como o mais antigo e holístico sistema para colocar em forma o corpo e a mente. Literalmente, Yoga significa união, pois ele une e integra o corpo, a mente e nossas emoções para que sejamos capazes de agir de acordo com nossos pensamentos e com o que sentimos. O Yoga nos induz a um profundo relaxamento, tranqüilidade mental, concentração, clareza de pensamento e percepção interior juntamente com o fortalecimento do corpo físico e o desenvolvimento da flexibilidade. O Yoga promove também o bem-estar físico, emocional e mental do indivíduo.

Nesta fase trataremos de uma forma mais profunda das etapas básica do Yoga que estão dispostas baixo:

As Oito etapas do Yoga:

I – Restrições Ou Abstenções (YAMAS)

Não-Violência (ahinsa)

Não Mentir (satya)

Não Roubar (asteya)

Equilíbrio Sexual (brahamacharya)

Não Desejar o Desnecessário (aparigraha)

II – Deveres ou Observâncias (NIYAMAS)

Purificação (sauchan)

Contentamento (santososha)

Austeridade (tapas)

Auto-análise (svadhyaya)

A união absoluta com a suprema realidade (iswara-pranidhana)

III – Posturas ou Posições (ÁSANAS)

IV – Controle da Respiração Vital (PRANAYAMAS)

V – Introspecção dos Sentidos (PRATYAHARA)

VI – Concentração Absoluta (DHARANA)

VII – Meditação Pura (DHYANA)

VIII – Iluminação Superior ou Êxtase (SAMADHI)

YAMAS

Nesta etapa vamos encontrar as características referentes aos conceitos morais e éticas, tais como: não ser violento (ahinsa), não ser mentiroso (satya), não roubar (asteya), praticar o equilíbrio sexual (brahamacharya) e não cobiçar (aparigraha). Todos estes preceitos também valem para o ato dos pensamentos. Ao nos aprofundarmos sobre cada tema, concluiremos que a extensão dos mesmos é muito mais ampla do que pode parecer, ultrapassando os simples domínios da compreensão humana e chegando aos planos mais sutis da matéria, ou ainda, indo sob determinados aspectos até atingir planos mais elevados, gerando a própria lei de ação e reação da antimatéria.

A NÃO VIOLÊNCIA (AHIMSA)

É um dos ensinamentos mais marcantes e uma das virtudes mais belas e profundas. Como perfeição, a não-violência absoluta só poderá ser atingida pelos iniciados e pelos iluminados, mas como forma de ação poderá ser realizada por todos e qualquer ser, em relação a todos os outros seres, não importando as condições pessoais, sociais, religiosas, morais ou culturais, pois a não-violência é superior a tudo isto e situa-se muito além da razão normal do ser humano, daí contida em um plano superior.

A não-violência pode ser vista ou considerada como uma linha reta da geometria e só pode ser realizada na prática, jamais na teoria. Por exemplo: todos os seres ou criaturas obtêm seu sustento através de algum meio de violência. Alguns destroem vegetais, outros destroem animais, porém em virtude dos animais possuírem formas de vida mais elevadas do que os vegetais, a destruição de um animal é uma violência muito maior do que a destruição de um vegetal.

Este é apenas um caso em relação à matéria, dentre as inúmeras formas de violências praticadas, que vão desde os atos comuns do cotidiano no lar, no trabalho, na escola, na rua, até as atitudes ou atos invisíveis representados pelo pensamento ou pelas vibrações de caráter negativo. Conseqüentemente, a prática da não violência é um dos principais requisitos para a solução dos maiores problemas que afligem a humanidade.

NÃO MENTIR (SATYA)

É o preceito situado além e acima do tempo e do espaço. A verdade sobre este ponto de vista, representa muito mais que a sinceridade comum e a realização da mesma não constituem sacrifício em momento algum, não existe realização maior que a da verdade e erro pior que a falsidade. Porém, quando a tradição dos conceitos naturais afirma que todas as virtudes não passam de características isoladas da verdade, ou que o discernimento está embasado na mesma, considera como verdade algo muito mais abrangente que a verdade comum.

O absoluto é a mais alta realidade e a fonte de todos os valores eternos e infinitos, tais como a retidão, a justiça absoluta, a beleza e a própria verdade. Desta forma, a verdade (satya) significa ser absoluto, representando a real natureza no conhecimento, na justiça e no conjunto das chamadas relações sociais.

A verdade encerra, em seu conteúdo, as chaves que abrem as portas para um progresso infinito das ciências, das artes, da moralidade e da justiça social. Sua contemplação pura muito nos afasta dos nossos limitados conceitos de vida e de comportamento, social, coletivo ou individualmente falando. A prática da verdade, por todos os caminhos que nos conduz, é indispensável à reintegração do homem a terra, e desta ao cosmos. Seus códigos de ética e suas leis abordam apenas reflexos da verdade, isto é, algumas expressões parciais, já que a mesma contém um aspecto amplo, profundo e absoluto. Se considerada como a virtude essencial, a verdade deverá conter em seu bojo são somente a honestidade e a sinceridade, mas também uma análise profunda e paciente de todo e qualquer fato, uma apreciação da natureza deste para poder chegar a uma expressão aproximada da realidade absoluta e única em que se resume o Universo em sua totalidade.

Em geral, dentro dos conceitos do yoga, sempre iremos encontra a não-violência extremamente ligada ao conceito de não mentir. São conceitos que andam junto e representam as mais altas virtudes humanas.

O NÃO ROUBAR (ASTEYA)

Este também deve ser encarado em toda a sua plenitude e não somente dentro de seu contexto específico. Exemplificando, não se pode considerar como ladrão apenas quem rouba um objeto material, pois aquele que procede de forma a abstrair do próximo o que não lhe é devida, seja numa transação comercial, ou em casos semelhantes, não deixa de ser considerado um ladrão.

Dentro desta visão, este conceito irá se ampliando e ganhando novas formas, que tanto podem ser aplicadas ao homem comum quanto àquele que ocupa um lugar de destaque na sociedade, concentrando amplas responsabilidades. Portanto, o conceito de não roubar segue uma escala diretamente ligada à retidão de todos os atos, estando intimamente relacionado aos conceitos da não violência e do não mentir. Esta tríade, enfim, constitui a base do progresso científico, moral e sócio-cultural de qualquer povo, de qualquer nação.

O EQUILÍBRIO SEXUAL (BRAHMACHARYA)

Neste conceito encerra-se uma grande parte do princípio da espiritualidade, desde que respeitadas e observadas as questões referentes ao não radicalismo, ao não sectarismo e ao verdadeiro equilíbrio sexual. Logo, primeiro virão o conhecimento perfeito e o discernimento destas ações e somente após as práticas mais profundas e desenvolvidas, as quais exigem quase uma perfeição real e divina do ser humano.

O NÃO COBIÇAR (APARIGRAHA)

É um dos preceitos que estão totalmente dentro dos domínios da vontade e do autocontrole. Haja vista que a vontade é, ao mesmo tempo, instrumento de ação e de reação, ela tanto pode ser acionada inconscientemente, em relação à cobiça e ao desejo que são formas aproximadas de se querer alguma coisa, como também pode ser acionada como instrumento de autocontrole, de forma consciente.

NIYAMAS

Nesta etapa prática, vamos encontrar as características e os preceitos que já estão alem da moral e da ética, envolvendo diretamente os aspectos mais íntimos e profundos da natureza humana. São também em número de cinco estas virtudes: a Purificação (sauchan), Contentamento (santososha), Austeridade (tapas), Auto-análise (svadhyaya) e a união absoluta com a suprema realidade (iswara-pranidhana).

preceitos ou virtudes extrapolam o conceito material da natureza humana indo situar-se nas profundezas do ser.

A PURIFICAÇÃO (SAUCHAN)

Implica, diretamente, tanto na pureza do corpo, como na pureza da mente e do espírito. No campo da ética, tanto em pureza moral, como em pureza conceitual, uma é sempre preliminar à outra e vice-versa. Todas as atitudes, as normas e as regras prescritas ou elaboradas em relação ao comportamento de modo geral, deverão sugerir as três citadas características da pureza, corpo, mente e espírito, caso contrário ficarão incompleta.

Iniciando pela matéria, temos a alimentação diária que passa despercebida por quase todos. Se levarmos em conta a espiritualidade de um homem comum, seja ele vegetariano, carnívoro, frutívoro ou de outra linha alimentar, a pureza da matéria que forma seu corpo é resultado direto daquilo que lhe serve de alimento no seu dia a dia. Levando isso a um campo ainda mais amplo, devem-se incluir também os aspectos de higiene e pureza corporal que são preliminares a pureza mental. Segundo o conceito de pureza (sauchan), higiene e alimentação não vêm seguidas às formas devocionais, mas são partes integrantes das mesmas, em todos os sentidos. Se se torna uma atitude ou uma ação destas independentemente da outra, perdem-se grande parte de suas essências. Por conseguinte, a pureza envolve tanto o aspecto externo como o aspecto interno, indo atingir os próprios domínios da mente. As atitudes e ações referentes à retidão, à franqueza, à inocência à ausência de pensamentos negativos caracterizam assim a pureza mental. O cultivo destas atitudes, de modo espontâneo, leva-nos à própria pureza espiritual e ao segundo conceito, denominado contentamento.

O CONTENTAMENTO (SANTOSHA)

Tem peculiaridades todas especiais. Há que considere a sua falta como um dos grandes males da humanidade , já que o ser humano dá mostras de nunca estar contente ou satisfeito como que possui, desejando sempre mais e mais. Isso vai criando em seu interior um desejo de posse e de apego que longe de elevá-lo a planos de vida mais dignos, ao contrário, vai condicionando-o à matéria grosseira.

A partir do momento em que o indivíduo passa a contentar-se com o que possui e com os resultados de suas ações, seja do trabalho ou da sua vida familiar e social, seu interior irá se acalmando, sua mente se tornará mais tranqüila e sua vida refletirá uma calma profunda. O espírito ficará em paz, tanto em relação ao mundo exterior como interior. Deve-se ter em mente que a verdadeira virtude do contentamento será expressa em seu próprio conceito.

AUSTERIDADE (TAPAS)

É uma das fases mais elevadas da evolução do ser humano, pois está representada pelo autodomínio e pelo desapego. Devemos, portanto, não apenas superar e vencer o que é nocivo à vida em todos os sentidos, como também ser independentes em relação às coisas boas. Um exemplo disso são as nossas afeições familiares, o nosso amor ao próprio lar e aos amigos, aos quais devemos e podemos manter sem nos apegarmos cegamente a eles. A austeridade sob este ponto de vista, ainda situa-se em um conceito primário, uma vez que atinge estágios muito amplos e abrangentes. Por isso não podemos, estar vinculados aos objetos particulares de nossos sentimentos comuns. Temos que superar essas barreiras, caminhando para frentes, em direção às coisas dos planos superiores, quando a austeridade poderá ser acionada em todos os instantes da vida.

A austeridade pura leva as normas e regras de retidão absoluta na maneira de viver; deve-se observa-la estritamente e delas jamais separar-se, o que poderá levar a pessoa a ser virtuosa ou não, embora a austeridade por si só já seja uma grande virtude.

A AUTO-ANÁLISE (SVADHAYA)

Também se situa como todos os outros preceitos, tanto no campo físico como no mental e no espiritual. Haja vista que a análise da mente e do espírito é muito mais sutil que a análise da matéria, em sua representação física, o indivíduo deverá estar sempre atento em relação as suas atitudes, seja com respeito à sua alimentação e as suas bebidas, seja com relação aos que rodeiam ou mesmo a si próprios.

O ego, personalizado pelo orgulho, pela hipocrisia e intolerância, se não reconhecida de imediato pode ser facilmente confundido ou tomado por ato virtuoso. Assim sendo, auto-análise representa a atenção constante de tal modo que os deslizes sejam combatidos em todos os níveis sempre identificados. Isso implica uma série de outros preceitos, tais como: a paciência, a tolerância, a modéstia, a humildade, o auto-sacrifício e o próprio desprendimento. Quando o ser lança mão de suas atitudes de todos esses preceitos virtuosos, conservando uma atenção constante sobre seus atos, estará então realizando uma verdadeira forma de auto-análise

A UNIÃO ABSOLUTA COM A SUPREMA REALIDADE (ISWARA-PRANIDHANA)

Como já expressa o termo, envolve aspectos que transcendem a realidade comum da vida do ser, elevando a estágios mais espirituais. Sem dúvida que ao atingir esta etapa o ser humano já deverá ter passado por todas as outras fases anteriores, criando para isso a base e o alicerce necessários, sem os quais não poderá cultivar o máximo de sua devoção espiritual.

Ao fim destas dez virtudes ou preceitos iniciais do yoga, englobados nos dois conceitos de restrições (Yamas) e deveres (Niyamas) cabe tecer algumas considerações para melhor compreensão. Realmente são bem poucos os que compreendem a validade de tais preceitos aplicados a vida comum, mesmo porque eles dependem das circunstâncias e não é assim tão simples afirmar-se quando um deles deixa de ser uma virtude. Por exemplo, podemos citar que a firmeza muitas vezes passa por obstinação e a coragem por desrespeito, a não violência por covardia, e o auto domínio por violência consigo mesmo e assim por diante. Conseqüentemente os preceitos e as virtudes não podem de modo algum, transformar-se em simples formas de comportamento do mundo concreto, mas sim em procedimentos de características reais e verdadeiras. O ser humano muito freqüentemente tem que agir por si só, decidir-se sozinho sobre o que é justo, verdadeiro e válido nas circunstâncias diferentes, que vivencia.

Observação: Um sábio (rishi) as despedir-se de um discípulo adverte-o quanto a conduta que deverá assumir dali para frente: "caso lhe surjam dúvidas ou questionamentos com relação a sua conduta ou a alguma ação, deverá conduzir-se sozinho, assim como procedem aqueles que têm a capacidade de discernimento, pois são capazes e sinceros e não simples observadores de virtudes."


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